Festa Caipira não precisa ser só Junina

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Estamos no mês de Junho e todo blog que se preze fala de festas juninas. Festa Junina, para mim, sempre foi motivo de alegria. Primeiro porque eu amo dançar, e nas escolas que estudei montávamos coreografias, fosse de quadrilha, fosse outro ritmo. Os dias antecedentes à festa, saíamos às ruas da cidade arrecadando prendas a serem distribuídas nas brincadeiras, e a classe que mais arrecadasse, ganhava prêmio. Nos dias de montagem da festa, então, nem se fale. Só o fato de não ter aula, propriamente, já me alegrava muito. Mas os ensaios também me faziam feliz e o portão aberto, de fundo com a feira, realizada toda quarta-feira no mesmo lugar, me fazia a gulosa mais feliz do pedaço – com meu pastel quentinho.

Crescida, continuo apaixonada por Festa Junina, incluindo ainda as quermesses dessa época. Viver no interior tem dessas. A gente sempre sabe onde o Santo do dia é comemorado com pastel, vinho quente, milho verde, cachorro quente e docinhos. Pensando nisso, resolvi compartilhar com vocês tudo que envolve uma festa junina. História, comida, quadrilha, trajes típicos, decoração, correio elegante… Mas claro, tudo num post só não vai dar. Então por hoje eu deixo um gostinho de quero mais, na promessa de voltar aqui com as famosas receitas de pé de moleque, doce de abóbora e arroz doce da família. Mas para não deixar só vontade, divido com você uma receita de paçoca de copinho, para comer de colher – e ajoelhado!

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Paçoca em formato de amor, pra quem ama Festa Junina.

 

Paçoca de Colher:

Coloque 3 latas de leite condensado e 2 gemas de ovo numa panela e mexa até esquentar. Quente, acrescente 400 grs de amendoim sem sal e sem pele triturado e mantenha 100 grs para a decoração deles. Quando começar a ferver, desligue o fogo e acrescente 1 lata de creme de leite.

Está pronto o doce que vai adoçar sua Festa Junina. Agora é só colocar nos copinhos, enquanto quente para ser mais fácil de mexer, e decorar com o amendoim que sobrou. Ai… estou até salivando! Faz e me conta.

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Paçoca de Colher, para adoçar a nossa Festa Junina.

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Receber bem é arte, festejar faz parte!

A Casa da Dinha sempre recebeu muito bem todos que por ela passassem. E até hoje essa arte é lembrada e propagada. Como descendente da Casa, sinto-me no dever de seguir seus preceitos e, sendo possível, aprimorá-los. Por isso hoje resolvi falar aqui sobre essa arte, a qual cabe em todo e qualquer lugar e consiste, principalmente, em conhecer bem o seu público – amigos, familiares, visitas, e quem mais que venha até você. Devemos ter sempre em mente que, se uma pessoa saiu de seu ambiente de conforto para ir até você, por todo e qualquer motivo, ela precisa no mínimo ser bem recebida e sentir importante por lá estar. Portanto, prepare o bom humor, a alegria, a gentileza, a educação e principalmente o coração para acolher bem quem chega. Lembre-se, por melhor e mais organizada esteja a sua casa ou recepção, se faltar um dos ingredientes acima, o seu reinado desmoronará. Portanto, prepare a alma e o coração para esse momento tão especial.

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Receber bem é isso! Carinho e cuidado em cada detalhe, até mesmo num picnic no parque. (Foto tirada da internet)

Além de estar psicologicamente preparado, lembre-se da casa ou ambiente a ser usado para essa recepção. Pode ser um amigo vindo de longe ou uma festa para muitas pessoas. Conhecer seus gostos, costumes e necessidades ajudam muito na hora de preparar o ambiente. Cuidados especiais com a limpeza do local, cheiros e decoração podem evitar enormes contratempos. A poluição dos grandes centros tem intensificado as alergias e um lugar mal limpo pode ocasionar crises profundas em quem sofre de renite, bronquite, asma, entre outras. Produtos de limpeza com cheiro forte, essências e incensos podem também atrapalhar a permanência de pessoas no ambiente. Portanto, pegue leve e lembre sempre: cheirinho de limpeza não é perfume! Nada substitui uma limpeza bem feita, com produtos neutros e muito esforço.

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Casa bem limpinha, sempre, com cheirinho de limpeza e não perfume!

Tenha cuidado em quantas pessoas você convidará para uma mesma ocasião tanto pelo ambiente da recepção quanto por sua atenção para com eles. Tenha em mente a importância em oferecer conforto a cada uma delas, com direito a assento e um lugar a mesa, além de utensílios bem limpos e em abundância. Caso tenha espaço, mas não tenha mobília e utensílios, alugue. Fazer rodízio, além de feio e desconfortável, vai dar um trabalhão pra você! Tenha atenção também em quem são as pessoas convidadas e o que elas podem ter em comum. O ideal é que possam interagir sem a necessidade da sua presença. Em contrapartida, tenha a certeza de poder estar disponível a todos eles, sem preferir ou preterir nenhum deles. Mais uma vez, lembre-se: eles estão lá por você! E portanto, seja anfitrião!

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Se não tiver utensílios suficiente, alugue. Fazer rodízio, jamais!

As comidas e bebidas a serem servidas demandam atenção dobrada. Verifique se algum convidado tem alergia a algum alimento ou ainda, costumes desconhecidos. Ter um jantar com carne vermelha como única opção pode ser um fiasco se o convidado for vegetariano. Ou ainda, ter apenas frutos do mar pode levar sua recepção ao hospital, se o seu convidado for alérgico. Portanto, por mais que se conheça o convidado, pergunte antes. Ele pode ser apaixonado por frituras e massas em geral, porém estar num tratamento para reeducação alimentar, e a sua recepção deixá-lo numa saia justa. O mesmo vale caso tenha amigos em tratamento alcoólico. Se isso ocorrer, prefira não servir bebidas com álcool. Além de constrangedor a ele, a tentação será sempre um pecado capital. Por isso a importância em avaliar MUITO BEM cada um de seus queridos convidados. O objetivo de sua recepção deve ser sempre fazê-lo sentir-se feliz e confortável junto a você.

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Café da manhã é sempre ótima opção para receber amigos em casa. Simples, mas com charme, sempre.

Para recepções maiores e mais complexas como casamentos ou demais comemorações, você não poderá privar todos os seus convidados de algo em detrimento a um único. Neste caso, tenha opções. Além da carne vermelha, tenha uma opção de carne branca, opções de vegetais e massa sem proteína animal. Além de bebidas alcoólicas, tenha coquetéis sem álcool, lembrando sempre do suco da garotada ou da água saborizada, tão comum no sul do país e que tem ganhado seu espaço em todo tipo de recepção por aqui. O mesmo vale para recepções em casa, quando o público for heterogêneo. Se valer a dica, procure sempre opções saudáveis em suas escolhas. Hoje em dia todo mundo tá de olho na alimentação, afinal “a cura começa pela boca”. Portanto, pratos bem feitos, sem frituras, com vegetais, proteínas e carboidratos equilibrados são sempre boas pedidas e agradam todos os públicos.

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Opção de prato saudável para sua recepção. tomatinho, mussarela de búfala, manjericão e eu ainda acrescentaria um molhinho pesto!

Espero ter ajudado você a receber bem os seus convidados, porque fazer festa é uma farra, dá trabalho mas alimenta a alma. Quem nasceu para isso, como eu, tem um prazer enorme em receber e presentear pessoas queridas. E aí, vale a criatividade de cada um. Deixe os seus encantos tomarem forma seja de decoração, de comidas e bebidas ou mesmo de lembranças. Aliás, sendo possível, sempre separe algo para seus convidados levarem com eles, como lembrança da festa. Seja uma caixinha para doces ou algum doce especial, ou ainda um utensílio de uso em casa. Deixe a criatividade fluir, mas pense nisso, porque todo mundo gosta de ser presenteado, e lembranças deixam sempre um gostinho de quero mais no dia seguinte.

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Caixinha para doces, com tema da recepção, para os convidados levarem pra casa os doces que mais gostarem…

O fantástico mundo das Cookies

As cookies voltaram a me envolver essa semana, e dessa vez não apenas como degustadora. Minha amiga Marlene me chamou até sua casa para me apresentar o mundo encantado das suas Wonder Cookies! Ela me fez colocar as mãos na massa, literalmente, mas no fim da história, achei bem mais legal brincar de desenhar nelas, e depois comer, do que verdadeiramente fazê-las. Mas eu explico: é muito trabalhoso. Logicamente, é um aprendizado e tanto. E ver aquele mundo de possibilidades bem na minha frente é uma alegria e tanto. Mas preciso ser sincera e dizer que eu não levo muito jeito pra isso.

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O gosto tá ótimo, porque foi a Marlene que me orientou. Mas, que tal a minha arte?

Se você leva, aproveita, porque eu conheço um mundo de gente apaixonado por cookies de todos os tipos, de canela, de chocolate, de menta, de gengibre, de limão… E em todas elas podemos acrescentar ou trocar itens da receita por itens saudáveis como açúcar orgânico ou mascavo, farinha de banana verde, aveia, linhaça, nozes, amêndoas. Como eu disse acima, um mundo de possibilidades.

Como eu mais me diverti ontem do que realmente quis me profissionalizar no assunto, acabei não decorando a receita. Porém, eu quero aqui propor umas mudanças na receita original. Que tal criarmos algumas possibilidades? Você poderia tentar aí e me dizer o que achou? Eu farei o mesmo aqui em casa e aí comento como ficou.

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Sonho realizado. Fiz um boneco de Natal grandão! tipo, maior de 15 cm!

 Vamos lá:

Ligue o forno e deixe-o aquecer!

 Enquanto isso, bater bem na batedeira:

125 g de manteiga sem sal em temperatura ambiente (será que rola light? E margarina? Alguém pode nos acudir???)

½ xícara de açúcar mascavo ou orgânico (será que vai adoçar mais do que o açúcar normal? Bom, tem que tentar… a receita dizia ¾ de açúcar normal…)

2 col. (sobremesa) de canela (eu que inventei, pode tirar se quiser)

1 col. (chá) de essência de baunilha

 Depois de homogênea, acrescentar 1 ovo caipira e tornar a bater bem.

 Na mão ou na batedeira planetária, coloque devagar 3/4 xícara de farinha de trigo + ½ xícara de farinha de trigo integral + ½ xícara de farinha de banana verde e salpique nozes moídas. Por último, adicionar 1 colher (chá) de fermento em pó.

Deixar a massa bem homogênea.

Feito isso, você pode colocar um pouco na geladeira, para ficar firminha e cortar com cortador OU fazer suas bolinhas, rolinhos, e o que mais quiser antes de assar. Pode assar no forno pré-aquecido por +/- 20 minutos, em +/- 200 graus. Tudo aqui é +/- porque vai depender do quão poderoso é o seu forno. Aqui em casa eu deixo a luz acesa de dentro do forno e grudo nele. Afinal, cada caso é um caso, né?!

 Segundo minha amiga, a gênia das cookies, o jeito de abrir a massa é o que define como ficará a sua bolacha. Se deixar a massa muito fina, a chance dela quebrar é enorme. Se ficar muito grossa, ficará mais macia do que crocante… Então, só fazendo pra descobrir o seu gosto. Eu, por ora, continuo pedindo pra minha amiga, que além de fazer bolachas deliciosas, personaliza do jeitinho que a gente quer, com chocolate, pasta americana, glacê real, e com infinidade de cores. Pede também! 

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Cookies feitas e decoradas pela minha amiga Marlene. Não é uma fofurice??

Brasília para apolíticos

Era um sábado nublado em São Paulo, finalmente uma viagem sem deveres profissionais. Saio cedo de casa, acompanhada pelo namorado, e vamos para o aeroporto. Chegamos cedo, afinal não tinha trânsito, e como não tínhamos mala para despachar, o check-in foi bem rápido. Fomos para a sala de embarque e aguardamos o vôo. É incrível, mas sempre que viajo a trabalho, meus vôos não atrasam. Esse, só porque era lazer, já começou atrasando…

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Catedral de Brasília

Pousado em Brasília, tomamos um táxi com destino ao Hotel mais cheio de coisa que encontrei no guia, o Royal Tulip Alvorada. No caminho para o hotel, relembrei como Brasília é diferente – para não chamá-la de estranha, pelas minhas referências. Primeiro porque tudo é muito distante. Segundo porque não parece ter centro urbanos, parece sempre rodovia. Desde criança chamo de “cidade” os conglomerados de pessoas, com casas, prédios, comércios, bancos, igreja, ginásio. Brasília não tem isso. Pelo menos não tudo junto. Você anda pelas “rodovias internas” e vê shopping, alguns restaurantes, prédios comerciais, mas tudo muito distante um do outro. De igreja, só vi a Catedral de Brasília – até porque não teria como não ver, ela está inserida nas proximidades da Esplanada dos Ministérios. Aliás, em Brasília, o único lugar que se consegue andar “a pé” é lá, porque de resto, é impossível! Uma cidade totalmente diferente de tudo que já vi no Brasil, mesmo sem eu conhecer muita coisa do meu país.

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Vista aérea de Brasília…

Da outra vez que estive em Brasília, também num final de semana, pude conhecer a Esplanada dos Ministérios todinha, com direito a visitação guiada em todas as áreas como Palácio do Itamaraty, Senado e Câmara dos Deputados, Palácio do Planalto e etc. Aprendi muito sobre a história do Brasil, inclusive coisas já esquecidas, desde a época de colégio e só decoradas para passar de ano. Apesar de cheia de conhecimento, essa viagem me deixou traumas então prometi a mim mesma – e fiz o namorado também prometer – dessa vez seria diferente. Queria conhecer uma Brasília do meu jeito – fazendo o que os moradores fazem!

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Uma das minhas vistas preferidas de Brasília – Esplanada dos Ministérios.

Fomos ao Pontão do Lago e o destino para o almoço foi um boteco. Não era o restaurante mais brasiliense imaginado para meu almoço, mas foi bem gostoso! De frente para o lago, feijoada e caipiroska (no meu caso!). Um calor tremendo em pleno outono/inverno que me fez até pensar estar no Rio de Janeiro. Mas algo naquele lugar me fazia ter certeza estar em Brasília – as mulheres! Se você vai a Brasília, leve roupas finas e produza-se. Sim, alguém devia ter me avisado disso, porque só descobri “in loco”. E digo mais. Se tiveres uma bolsa fina, pequena e chique e óculos escuros de grife, leve. Pois eles serão seus melhores amigos na caracterização brasiliense. Obviamente, se não tiver também serás bem vindo, mas aí aceite tornar-se ponto de referência, como eu me tornei devido a minha vestimenta totalmente out para a estação.

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Almocinho carioca, só quem em Brasília.

Namorado que se preze, não se contenta com o almoço e, num deslize, resolve dar um pulinho na Esplanada dos Ministérios. Visita feita ao Supremo Tribunal Federal e ao Panteão,seguimos ao Palácio da Alvorada. Ficamos na porta, como todo e qualquer turista, vimos a troca da guarda e com isso, pude voltar feliz e contente ao meu magnífico hotel.

A noite fomos jantar numa pizzaria – maravilhosa – próximo a ponte JK. Tudo muito gostoso, pizza saborosíssima e arquitetura de babar. O público, repleto da alta aristocracia brasiliense, moças finas e moços bem apessoados. Todas aquelas mulheres do almoço, vieram para o jantar, e dessa vez o vestido era um pouco mais curto – sim, com as pernas compridas e magras a mostra – e as bolsas ainda menores. Aí você pensa: é um caso ou outro. E eu respondo: é unânime! Traduzo Brasília como uma cidade do interior de São Paulo. E digo isso com respeito, pois nasci e cresci em uma e sempre tive o interior como referência de vida. Porém, no interior temos modismos e muita preocupação de o que o outro irá pensar sobre a nossa apresentação.

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Fachada da Pizzaria, retirada do site Brasília Gourmet.

Se você quer relaxar em Brasília, prepare a sua mente e desencane. O direito de ser como quiser é seu e com certeza pode ser aplicado em qualquer lugar. Mas se você, como toda boa mulher, gosta de ser vista, reveja sua mala e prepare o bolso, porque Brasília é uma cidade cara e muito elegante. A noite de Brasília é agitada e os locais aceitam reserva, caso contrário a chance de dar de cara com casa lotada é grande.

No domingo, aproveitamos o dia ensolarado e fizemos um passeio pelo Lago Paranoá. A embarcação era bem ajeitada e saía do hotel mesmo. Nesse passeio descobrimos várias curiosidades sobre a origem de Brasília e seus arredores. O lago, por exemplo, não é natural e foi arquitetado para a região. Apesar de muitos opositores não acreditarem dar certo, por conta do solo seco da região, o sucesso foi tanto, que além de embelezar a cidade, gera sustento de famílias, por conta da pesca, e umidificou a região. Assim como o passeio em ônibus “sightseeing” de Brasília, considero esse passeio ideal para quem desejar conhecer um pouco mais da cidade. Vai a Brasília? Boa viagem e aproveite! Leve biquíni para aproveitar mais!

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Lago Paranoá, com a Ponte JK ao fundo.

Buenos Aires: El destino ideal para aquellos que no saben a dónde ir

Um dos meus destinos favoritos e mais queridos do mapa mundi, Buenos Aires me conquistou à primeira vista. Talvez porque, quando estive lá, vinha de experiências do outro lado do oceano, com pessoas e culturas totalmente diferentes da minha e parecia um sonho chegar a outro país e me sentir tão em casa. A cidade é linda, apesar de mal cheirosa, tem uma arquitetura fina e temperatura agradabilíssima – pelo menos no outono/inverno. Depois dessa vez, já estive por lá no fim do verão, e a experiência foi totalmente diferente, apesar de a comida continuar uma belezinha. Sempre que viajo tenho alguns propósitos diferentes, mas se tem algo a se repetir é a minha busca pela boa e farta gastronomia. E isso Buenos Aires tem para entregar.

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Entrada do Restaurante Siga La Vaca, uma das referências em churrasco portenho.

Para vivenciar Buenos Aires hay de se envolver, e para entrar no clima portenho, se faz necessário estar na cidade nos dias úteis. O fim de semana é interessante, afinal a Casa Rosada só se visita aos sábados, mas como a maioria das cidades turísticas, muitos visitantes se aproximam e tudo fica muito mascarado, não traduzindo a cidade como ela realmente é. Talvez por isso, a minha primeira experiência na cidade foi a melhor. De segunda a sexta! Como disse acima, a gastronomia portenha é algo de se tirar o chapéu! Carnes (médio) e massas (sempre) são sempre opções maravilhosas, isso sem contar o cubierto, composto por pão quentinho e manteiguinha – acendo aqui a luz de perigo, pois acostuma-se fácil fácil com esse tratamento lindo. Melhor ainda são os preços a serem pagos por essas beldades gastronômicas, tudo mais barato que São Paulo, facilitando muito a vida do viajante.

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Hermosa Buenos Aires, en un dia de lluvia

Não só de almoço e jantar vive-se o homem (muito menos a mulher!) e parada obrigatória para mim são os cafés de Buenos Aires. Um melhor que o outro, com empanadas sempre quentinhas saindo do forno e bem saborosas, acompanhadas de cafés ou chocolate quente. Passe por um desses locais por volta das 17h e sentirá como é viver em Buenos Aires. Homens e mulheres saem de seus trabalhos e concentram-se nos cafés para ler jornal, antes de ir para a casa. Talvez por conta desse costume o jantar nessa cidade costume sair por volta das 23h – o que pra mim é bem tarde.

As casas noturnas são bem agitadas, principalmente as de Puerto Madero. Mas não adianta chegar antes das 2h da madrugada, pois não encontrará muito mais do que gente jantando. Balada lá começa às 3h, e é bom ter pique, porque vai até depois do sol raiar. Inclusive, Puerto Madero é um bairro bom para se fazer quase tudo – menos ficar hospedada, porque para isso prefiro a Recoleta ou até mesmo o Centro, pertinho do Obelisco. Em Porto Madero é possível deliciar-se com a nova arquitetura, pós revitalização, no melhor estilo inglês pós Revolução Industrial, cheia de prédios com tijolinhos e ferragens a mostra. Os melhores restaurantes, sorveterias, cafés, bares e baladas estão lá localizados e sou capaz de ficar horas e mais horas do meu dia só neste bairro. Que inclusive abriga a Ponte dos Amores, um presente da Rainha da Inglaterra a Buenos Aires, que faz alusão a um casal dançando tango (oi? Não enxerguei, mas ok!).

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Puente de las mujeres, en Puerto Madero

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Encantadora arquitectura de Puerto Madero

A Recoleta é um bairro caprichoso e harmonioso, abriga lindos jardins, comércios, bares e feirinhas aos fins de semana. E nela que fica ainda o cemitério mais famoso de Buenos Aires, onde está enterrada Evita Perón, e o qual é sempre destino certo das excursões do mundo todo. Foi neste bairro que vivenciei um panelaço, desses que juntam muitas pessoas em busca de um bem comum. Como só o barulho era possível ser ouvido, parei uma participante e perguntei o que se passava e ele me explicou, estavam lutando pela liberdade de produção nas zonas rurais argentinas. A Recoleta, assim como Puerto Madero e Pallermo, abriga lindas construções e boníssimos restaurantes, e o melhor, que aceitam inclusive nossa moeda, Real! Em todos os bairros é possível encontrar a Freddo, sorveteria maravilhosa, porém hoje encontramos por aqui também, então não precisa esperar estar lá para vivenciar essa magnífica experiência.

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Una encantadora iglesia hermosa en Recoleta, para componer el ambiente

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Evita Perón se guarda aquí

Um bairro com destaque merecido, mesmo sendo onde você investirá menos tempo em sua viagem, é o Caminito, bairro que abriga La Bomboniera – o estádio do Boca Juniors.Todo colorido e voltado às homenagens a Carlos Gardel (precursor do Tango no país) e a Maradona, o Caminito foi construído por cortiços, quando da chegada dos imigrantes italianos a cidade. Talvez por isso, todo argentino nos indica ter cuidado com a segurança (ou a falta dela) nesse bairro. Como sou precavida, brasileira e paulista, tenho cuidado em todo e qualquer lugar por onde eu passe, portanto indico atenção.

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El Caminito y sus colores

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Los regalitos y Maradona, El Caminito

Outros bairros são altamente conhecidos e bem frequentados em Buenos Aires, mas indico sempre tomar um ônibus turístico um dia, para fazer reconhecimento de local, e usar táxi e as próprias pernas nos dias seguintes. A Calle Santa Fé e a Florida são consideradas ruas de compras, apesar de termos lojinhas por diversos outros lugares de Buenos Aires. Eu, sinceramente, não considero destino de compras, apesar das coisas serem sim mais baratas que no Brasil. Mas depende muito do que comprar. Roupa de criança, da marca Cheek, e itens de couro, são sim bem mais baratos, assim como os alfajores e havanets da Havana. Porém, tênis, bolsas e outros itens que muitas vezes buscamos, creio ser necessário garimpo. Eu, não achei (mas também, não estava a procura).

Algo que me chamou a atenção é o patriotismo do argentino. Assim como vemos nos filmes americanos, eles também utilizam a bandeira do país como adorno na própria casa. Sacadas, sofás e quartos são decorados com a bandeira azul e branca com o sol no centro. Lembro-me de ter assistido a um jogo de Brasil e Argentina num bar-restaurante da Recoleta. Apesar de ter me policiado com as reações, o jogo terminou em zero a zero e foi bem sem graça. Não pude ver a reação dos hermanos diante de uma vitória brasileira.

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Vamos a brindar el juego de Brasil y Argentina, en Locos por El Fútbol, Recoleta

Dicas:

– Escolha viajar para Buenos Aires no Outono ou Inverno. Com certeza você terá o que de melhor a cidade tem a oferecer.

– Seja paciente com os taxistas e desça sempre do carro pela porta da calçada – o contrário pode gerar multas a eles e ficam extremamente irritados se você fizer isso (eu fiz, e não me orgulho!).

– O centro, apesar de histórico e lindamente iluminado pela larga Avenida Nove de Julho, é destino durante o dia, inclusive para ver e admirar o Obelisco. Evite andar a pé, à noite, por questões óbvias de movimento e segurança.

– Tenha pelo menos cinco dias para ficar na cidade. Apesar de se virar bem em dois dias, você nunca terá tempo de conhecer a cidade como se deve, e com cinco garanto não cansar e nem repetir programação.

– Dinheiro você faz melhor negócio trocando Real diretamente por Peso, quando chegar ao país. Portanto, indico a troca de uma pequena quantidade no aeroporto, para o táxi e primeiras necessidades e posteriormente faça o câmbio nas casas especializadas no centro ou bairros da cidade.

– Ao pagar a conta saiba que na Argentina o cubierto é obrigatório e corresponde ao serviço de toalha, pratos, talheres da mesa. O pãozinho com manteiga é somente um agrado, portanto não tente dizer “no, gracias”, porque você será cobrado da mesmíssima forma.

– Dificilmente um restaurante aceita reserva para jantar antes das 21h, muitos nem abrem antes disso. Verifique o qual você deseja ir e ligue antes para reservar. A lotação é comum.

– Se desejar dar um pulinho no Uruguai, pegue o trem até El Tigre – região que vale a visita independente de ir ao Uruguai – e de lá tome a condução até Colonia Del Sacramento. Eu descobri o caminho ao contrário, mas vale a visita. Pelo menos para provar as suculentas parillas uruguayas! Boa viagem!!

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Estación de El Tigre

A Casa da Dinha

Finalmente dou asas a um projeto sonhado por tanto tempo. Agora muito mais profissa, com design da minha irmã Marisa Corti e estrutura digital da minha amiga Bia Bryan. O blog Casa da Dinha vem com a missão de bater papo gostoso, cheio de história e experiências,  bom humor e alegria, acompanhado por chá com bolachas ou café com bolo, bem ao estilo casa da vovó!  

Na Casa da Dinha a gente se reúne para por a conversa em dia, contar sobre a última viagem, dar dicas de lugares bons para conhecer, comer e viver. A gente reencontra pessoas e conhece de perto aqueles que só víamos de longe. Descobrimos as novidades, tendências, o que ta usando e o que está démodé! Aqui não tem tema, certo ou errado. Falamos sobre o que dá vontade. O lema é dividir, afinal, guardar pra gente além de egoísta é muito chato!

A Casa da Dinha hoje é digital. Mas ela já existiu fisicamente um dia. Dinha é a minha bisavó maternal – mãe, da mãe, da mãe, sabe? E foi na casa dela que passei boa parte da minha infância. O cheiro de café coado nos domingos à tarde era irresistível e um belíssimo convite a longas horas de bate-papo. Na mesa, sempre bolo, pão, mortadela e o que mais as visitas daquele dia tivessem levado. Eu era bem pequena, mas já via graça – e muita – em toda aquela tradição. Quando ela se foi, eu já não tão pequena assim, me indagava onde seriam as próximas rodas de bate-papo da família, uma vez que, ela como matriarca da família, sempre reunia as quatro gerações em volta de uma mesma mesa.

Pois bem, o convite está feito. Realizo aqui os meus mais profundos desejos literários e jornalísticos, intrínsecos em minha alma inquieta. Mas uma boa conversa não se faz sozinha e convido você a interagir comigo, contando um pouco da sua experiência a cada tema que por aqui nascer. Sugestões também são bem vindas e vou querer ouvir a sua história, sua dica, sua experiência. Topa? Seja muito bem vindo à Casa da Dinha. Entre, sente e fique a vontade. O cafezinho está vindo!