Brasília para apolíticos

Era um sábado nublado em São Paulo, finalmente uma viagem sem deveres profissionais. Saio cedo de casa, acompanhada pelo namorado, e vamos para o aeroporto. Chegamos cedo, afinal não tinha trânsito, e como não tínhamos mala para despachar, o check-in foi bem rápido. Fomos para a sala de embarque e aguardamos o vôo. É incrível, mas sempre que viajo a trabalho, meus vôos não atrasam. Esse, só porque era lazer, já começou atrasando…

Imagem

Catedral de Brasília

Pousado em Brasília, tomamos um táxi com destino ao Hotel mais cheio de coisa que encontrei no guia, o Royal Tulip Alvorada. No caminho para o hotel, relembrei como Brasília é diferente – para não chamá-la de estranha, pelas minhas referências. Primeiro porque tudo é muito distante. Segundo porque não parece ter centro urbanos, parece sempre rodovia. Desde criança chamo de “cidade” os conglomerados de pessoas, com casas, prédios, comércios, bancos, igreja, ginásio. Brasília não tem isso. Pelo menos não tudo junto. Você anda pelas “rodovias internas” e vê shopping, alguns restaurantes, prédios comerciais, mas tudo muito distante um do outro. De igreja, só vi a Catedral de Brasília – até porque não teria como não ver, ela está inserida nas proximidades da Esplanada dos Ministérios. Aliás, em Brasília, o único lugar que se consegue andar “a pé” é lá, porque de resto, é impossível! Uma cidade totalmente diferente de tudo que já vi no Brasil, mesmo sem eu conhecer muita coisa do meu país.

Imagem

Vista aérea de Brasília…

Da outra vez que estive em Brasília, também num final de semana, pude conhecer a Esplanada dos Ministérios todinha, com direito a visitação guiada em todas as áreas como Palácio do Itamaraty, Senado e Câmara dos Deputados, Palácio do Planalto e etc. Aprendi muito sobre a história do Brasil, inclusive coisas já esquecidas, desde a época de colégio e só decoradas para passar de ano. Apesar de cheia de conhecimento, essa viagem me deixou traumas então prometi a mim mesma – e fiz o namorado também prometer – dessa vez seria diferente. Queria conhecer uma Brasília do meu jeito – fazendo o que os moradores fazem!

Imagem

Uma das minhas vistas preferidas de Brasília – Esplanada dos Ministérios.

Fomos ao Pontão do Lago e o destino para o almoço foi um boteco. Não era o restaurante mais brasiliense imaginado para meu almoço, mas foi bem gostoso! De frente para o lago, feijoada e caipiroska (no meu caso!). Um calor tremendo em pleno outono/inverno que me fez até pensar estar no Rio de Janeiro. Mas algo naquele lugar me fazia ter certeza estar em Brasília – as mulheres! Se você vai a Brasília, leve roupas finas e produza-se. Sim, alguém devia ter me avisado disso, porque só descobri “in loco”. E digo mais. Se tiveres uma bolsa fina, pequena e chique e óculos escuros de grife, leve. Pois eles serão seus melhores amigos na caracterização brasiliense. Obviamente, se não tiver também serás bem vindo, mas aí aceite tornar-se ponto de referência, como eu me tornei devido a minha vestimenta totalmente out para a estação.

Imagem

Almocinho carioca, só quem em Brasília.

Namorado que se preze, não se contenta com o almoço e, num deslize, resolve dar um pulinho na Esplanada dos Ministérios. Visita feita ao Supremo Tribunal Federal e ao Panteão,seguimos ao Palácio da Alvorada. Ficamos na porta, como todo e qualquer turista, vimos a troca da guarda e com isso, pude voltar feliz e contente ao meu magnífico hotel.

A noite fomos jantar numa pizzaria – maravilhosa – próximo a ponte JK. Tudo muito gostoso, pizza saborosíssima e arquitetura de babar. O público, repleto da alta aristocracia brasiliense, moças finas e moços bem apessoados. Todas aquelas mulheres do almoço, vieram para o jantar, e dessa vez o vestido era um pouco mais curto – sim, com as pernas compridas e magras a mostra – e as bolsas ainda menores. Aí você pensa: é um caso ou outro. E eu respondo: é unânime! Traduzo Brasília como uma cidade do interior de São Paulo. E digo isso com respeito, pois nasci e cresci em uma e sempre tive o interior como referência de vida. Porém, no interior temos modismos e muita preocupação de o que o outro irá pensar sobre a nossa apresentação.

Imagem

Fachada da Pizzaria, retirada do site Brasília Gourmet.

Se você quer relaxar em Brasília, prepare a sua mente e desencane. O direito de ser como quiser é seu e com certeza pode ser aplicado em qualquer lugar. Mas se você, como toda boa mulher, gosta de ser vista, reveja sua mala e prepare o bolso, porque Brasília é uma cidade cara e muito elegante. A noite de Brasília é agitada e os locais aceitam reserva, caso contrário a chance de dar de cara com casa lotada é grande.

No domingo, aproveitamos o dia ensolarado e fizemos um passeio pelo Lago Paranoá. A embarcação era bem ajeitada e saía do hotel mesmo. Nesse passeio descobrimos várias curiosidades sobre a origem de Brasília e seus arredores. O lago, por exemplo, não é natural e foi arquitetado para a região. Apesar de muitos opositores não acreditarem dar certo, por conta do solo seco da região, o sucesso foi tanto, que além de embelezar a cidade, gera sustento de famílias, por conta da pesca, e umidificou a região. Assim como o passeio em ônibus “sightseeing” de Brasília, considero esse passeio ideal para quem desejar conhecer um pouco mais da cidade. Vai a Brasília? Boa viagem e aproveite! Leve biquíni para aproveitar mais!

Imagem

Lago Paranoá, com a Ponte JK ao fundo.

Anúncios

Buenos Aires: El destino ideal para aquellos que no saben a dónde ir

Um dos meus destinos favoritos e mais queridos do mapa mundi, Buenos Aires me conquistou à primeira vista. Talvez porque, quando estive lá, vinha de experiências do outro lado do oceano, com pessoas e culturas totalmente diferentes da minha e parecia um sonho chegar a outro país e me sentir tão em casa. A cidade é linda, apesar de mal cheirosa, tem uma arquitetura fina e temperatura agradabilíssima – pelo menos no outono/inverno. Depois dessa vez, já estive por lá no fim do verão, e a experiência foi totalmente diferente, apesar de a comida continuar uma belezinha. Sempre que viajo tenho alguns propósitos diferentes, mas se tem algo a se repetir é a minha busca pela boa e farta gastronomia. E isso Buenos Aires tem para entregar.

Imagem

Entrada do Restaurante Siga La Vaca, uma das referências em churrasco portenho.

Para vivenciar Buenos Aires hay de se envolver, e para entrar no clima portenho, se faz necessário estar na cidade nos dias úteis. O fim de semana é interessante, afinal a Casa Rosada só se visita aos sábados, mas como a maioria das cidades turísticas, muitos visitantes se aproximam e tudo fica muito mascarado, não traduzindo a cidade como ela realmente é. Talvez por isso, a minha primeira experiência na cidade foi a melhor. De segunda a sexta! Como disse acima, a gastronomia portenha é algo de se tirar o chapéu! Carnes (médio) e massas (sempre) são sempre opções maravilhosas, isso sem contar o cubierto, composto por pão quentinho e manteiguinha – acendo aqui a luz de perigo, pois acostuma-se fácil fácil com esse tratamento lindo. Melhor ainda são os preços a serem pagos por essas beldades gastronômicas, tudo mais barato que São Paulo, facilitando muito a vida do viajante.

Imagem

Hermosa Buenos Aires, en un dia de lluvia

Não só de almoço e jantar vive-se o homem (muito menos a mulher!) e parada obrigatória para mim são os cafés de Buenos Aires. Um melhor que o outro, com empanadas sempre quentinhas saindo do forno e bem saborosas, acompanhadas de cafés ou chocolate quente. Passe por um desses locais por volta das 17h e sentirá como é viver em Buenos Aires. Homens e mulheres saem de seus trabalhos e concentram-se nos cafés para ler jornal, antes de ir para a casa. Talvez por conta desse costume o jantar nessa cidade costume sair por volta das 23h – o que pra mim é bem tarde.

As casas noturnas são bem agitadas, principalmente as de Puerto Madero. Mas não adianta chegar antes das 2h da madrugada, pois não encontrará muito mais do que gente jantando. Balada lá começa às 3h, e é bom ter pique, porque vai até depois do sol raiar. Inclusive, Puerto Madero é um bairro bom para se fazer quase tudo – menos ficar hospedada, porque para isso prefiro a Recoleta ou até mesmo o Centro, pertinho do Obelisco. Em Porto Madero é possível deliciar-se com a nova arquitetura, pós revitalização, no melhor estilo inglês pós Revolução Industrial, cheia de prédios com tijolinhos e ferragens a mostra. Os melhores restaurantes, sorveterias, cafés, bares e baladas estão lá localizados e sou capaz de ficar horas e mais horas do meu dia só neste bairro. Que inclusive abriga a Ponte dos Amores, um presente da Rainha da Inglaterra a Buenos Aires, que faz alusão a um casal dançando tango (oi? Não enxerguei, mas ok!).

Imagem

Puente de las mujeres, en Puerto Madero

Imagem

Encantadora arquitectura de Puerto Madero

A Recoleta é um bairro caprichoso e harmonioso, abriga lindos jardins, comércios, bares e feirinhas aos fins de semana. E nela que fica ainda o cemitério mais famoso de Buenos Aires, onde está enterrada Evita Perón, e o qual é sempre destino certo das excursões do mundo todo. Foi neste bairro que vivenciei um panelaço, desses que juntam muitas pessoas em busca de um bem comum. Como só o barulho era possível ser ouvido, parei uma participante e perguntei o que se passava e ele me explicou, estavam lutando pela liberdade de produção nas zonas rurais argentinas. A Recoleta, assim como Puerto Madero e Pallermo, abriga lindas construções e boníssimos restaurantes, e o melhor, que aceitam inclusive nossa moeda, Real! Em todos os bairros é possível encontrar a Freddo, sorveteria maravilhosa, porém hoje encontramos por aqui também, então não precisa esperar estar lá para vivenciar essa magnífica experiência.

Imagem

Una encantadora iglesia hermosa en Recoleta, para componer el ambiente

Imagem

Evita Perón se guarda aquí

Um bairro com destaque merecido, mesmo sendo onde você investirá menos tempo em sua viagem, é o Caminito, bairro que abriga La Bomboniera – o estádio do Boca Juniors.Todo colorido e voltado às homenagens a Carlos Gardel (precursor do Tango no país) e a Maradona, o Caminito foi construído por cortiços, quando da chegada dos imigrantes italianos a cidade. Talvez por isso, todo argentino nos indica ter cuidado com a segurança (ou a falta dela) nesse bairro. Como sou precavida, brasileira e paulista, tenho cuidado em todo e qualquer lugar por onde eu passe, portanto indico atenção.

Imagem

El Caminito y sus colores

Imagem

Los regalitos y Maradona, El Caminito

Outros bairros são altamente conhecidos e bem frequentados em Buenos Aires, mas indico sempre tomar um ônibus turístico um dia, para fazer reconhecimento de local, e usar táxi e as próprias pernas nos dias seguintes. A Calle Santa Fé e a Florida são consideradas ruas de compras, apesar de termos lojinhas por diversos outros lugares de Buenos Aires. Eu, sinceramente, não considero destino de compras, apesar das coisas serem sim mais baratas que no Brasil. Mas depende muito do que comprar. Roupa de criança, da marca Cheek, e itens de couro, são sim bem mais baratos, assim como os alfajores e havanets da Havana. Porém, tênis, bolsas e outros itens que muitas vezes buscamos, creio ser necessário garimpo. Eu, não achei (mas também, não estava a procura).

Algo que me chamou a atenção é o patriotismo do argentino. Assim como vemos nos filmes americanos, eles também utilizam a bandeira do país como adorno na própria casa. Sacadas, sofás e quartos são decorados com a bandeira azul e branca com o sol no centro. Lembro-me de ter assistido a um jogo de Brasil e Argentina num bar-restaurante da Recoleta. Apesar de ter me policiado com as reações, o jogo terminou em zero a zero e foi bem sem graça. Não pude ver a reação dos hermanos diante de uma vitória brasileira.

Imagem

Vamos a brindar el juego de Brasil y Argentina, en Locos por El Fútbol, Recoleta

Dicas:

– Escolha viajar para Buenos Aires no Outono ou Inverno. Com certeza você terá o que de melhor a cidade tem a oferecer.

– Seja paciente com os taxistas e desça sempre do carro pela porta da calçada – o contrário pode gerar multas a eles e ficam extremamente irritados se você fizer isso (eu fiz, e não me orgulho!).

– O centro, apesar de histórico e lindamente iluminado pela larga Avenida Nove de Julho, é destino durante o dia, inclusive para ver e admirar o Obelisco. Evite andar a pé, à noite, por questões óbvias de movimento e segurança.

– Tenha pelo menos cinco dias para ficar na cidade. Apesar de se virar bem em dois dias, você nunca terá tempo de conhecer a cidade como se deve, e com cinco garanto não cansar e nem repetir programação.

– Dinheiro você faz melhor negócio trocando Real diretamente por Peso, quando chegar ao país. Portanto, indico a troca de uma pequena quantidade no aeroporto, para o táxi e primeiras necessidades e posteriormente faça o câmbio nas casas especializadas no centro ou bairros da cidade.

– Ao pagar a conta saiba que na Argentina o cubierto é obrigatório e corresponde ao serviço de toalha, pratos, talheres da mesa. O pãozinho com manteiga é somente um agrado, portanto não tente dizer “no, gracias”, porque você será cobrado da mesmíssima forma.

– Dificilmente um restaurante aceita reserva para jantar antes das 21h, muitos nem abrem antes disso. Verifique o qual você deseja ir e ligue antes para reservar. A lotação é comum.

– Se desejar dar um pulinho no Uruguai, pegue o trem até El Tigre – região que vale a visita independente de ir ao Uruguai – e de lá tome a condução até Colonia Del Sacramento. Eu descobri o caminho ao contrário, mas vale a visita. Pelo menos para provar as suculentas parillas uruguayas! Boa viagem!!

Imagem

Estación de El Tigre